Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2004

The taste of "Something in the way" today...

Após demasiado tempo retomo. Retomo nem sei ao certo o quê.
Há algo muito grave que me incomoda a pele…não me sinto confortável, não me apetecem os sítios, as pessoas, nada…apenas memórias e música.
Tento encontrar algum conforto ao quente, onde soam melodias e se sente o calor a se dissipar no ar pesado…apenas eu ouço os meus berros de desespero. Disfarço as lágrimas perante os outros e mim mesma…escondo o olhar cansado e a pouca vontade de viver.
“Something…in…the…way…”.

Não há nada neste momento que me apeteça mais do que poder chorar à vontade e ajoelhar-me ao longo desta obra-prima, reflexo de quase tudo o que estou neste momento a sentir.

Está algo no caminho que me vai impedir de respirar.
Está algo no caminho que me vai impedir de correr, rir, soltar, beijar, correr, correr, correr, correr, correr, correr, correr, correr…eu sei que vai…eu sei, eu sei, eu sei, eu sei….
Sinto-me a enlouquecer e ninguém se apercebe disso…e choro.
Nada se concretiza, nada se modifica, ou fica pior, nada cresce, nada floresce, nada. Vazio, a permanência das coisas mata-me.
Quero tanto ir lá para fora correr…e gritar…nem sei se é para me ouvirem ou para eu saber que não me ouvem.

A viagem das coisas é assustadora.
Vagueiam por aí durante débeis momentos até ficarem frios. Os tenros são devorados.
Quando nada é certo também não há erros…pensa…pensa…PENSA!!! PENSA E APERCEBE-TE POR AMOR DE DEUS!!!!!
Estupidificação nojenta, aprendizagens que não fazem sentido, repressões, regressões, palavras mal ditas, momentos arruinados, pessoas complicadas, pessoas demasiado simples, desejo, frígidas.
Soma-se aos motores, ás engrenagens, aos óleos, maquinarias, barulho, confusão, cheiros, vómitos, luzes…
Fantasia.
E alguma coisa no meu caminho que mais cedo ou mais tarde me irá fazer tropeçar, e finalmente deixar-me cair no desejo da velocidade mágica do vento. Não haverá peso. Não haverá medo. Apenas um bailado freneticamente lento que comando com movimentos sensuais de mãos, cabelo, pernas, ventre….o corpo. Por fim, apenas o meu corpo nesse caminho maravilhoso e repleto de solidão.

publicado por Rute às 18:23
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De plagio a 3 de Dezembro de 2004 às 20:19
esta coisa de avaliar o texto deixa-me embaraçado,torna a realidade distante...por isso prefiro dizer que és especial...continuação.


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