Domingo, 5 de Dezembro de 2004

Esgrima


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Esgrima. Surpreende-me. Porque não me adoras? Simplicidades, fome e cães. Bocas imundas. De joelhos. Consentimento. Olhar faminto. Sede. Deus. Cansaço. Drogas. Guitarras. Que mais…
Cansaço de viver no imaginário, criar portas para algo que não existe, mas bem podia. Farta de escrever sobre o mesmo. Gemidos. Muitos gemidos. Vozes quentes. FARTA FARTA FARTA! Quero lutar mas queria saber que no fim não me encontrava sozinha. Noites vazias. Esperar por algo que se sabe que nunca existiu sem ser em nós. Uma simples palavra e tudo podia mudar. Um simples respirar tudo transformaria. Mas é certo que não acontece. É certo que esse não é o meu presente. É certo que tudo imagino e sinto-me a enlouquecer. Feitiços. Pragas. Inveja. Tudo isto não é mais. Nem menos. É simplesmente diferente. Renegar. Será que vou renegar de novo???? Será mesmo??? Não posso, não quero! Não me quero chorar, não me quero sentir pobre em mim. Enriquecer de mim!!!! Provar-me, saborear-me, saborear-te…porque não??? Ou porque sim, poderás perguntar…porque me apetece e sei que a ti também…
Igreja. Santuário. Criar um lugar onde me possa finalmente sentir. Curar-me de mim. Não refugiada, mas livre. Veludo. Velas. Palavras. Livros. Sabedoria. Cultura. Trocas. Tormentas. Inevitável. Pele. Experimentar. Agora que reflicto, com a sanidade que me foi oferecida, ás vezes pouca, outras vezes ainda menos, penso que a curiosidade vai ser a minha morte. Porque não? Tanta doçura!! Tanto desejo! Tanto corpo. Pintar, retratar tudo isto é querê-lo. Quase sem luz, poderia viajar, interessar-me por nada. Convidados. Certezas? Nenhuma excepto a de não a ter. Fumo. Maquilhagem.
E é aí que entras tu. Forte e seguro como sempre, como és e como te desejo. Frio de alma. Ansioso por tudo…até por mim. Trazes companhia, e a sensualidade que sempre transportas. Ergues-te. Mulheres. Húmido. Certeiro. Enredo. Musicalidade. Virgens de outrora.
Não entendo porque estou aqui, quando podia já o estar a concretizar. Morrer na curiosidade, penso de novo. Ser rainha de momentos e de muitos. Melhor não há. Sujidade. O quanto suja sou, e és, e o quanto gostas assim, tal como eu.
Não posso pensar mais nisto. Será que vou encontrar coragem para o fazer e levar alguém a conhecer-me? Ou apenas eu o frequentarei, isolada de todos, fazendo-me rogar à vida pecados que queria cometer??? Não aguentaria a rejeição daquele belo, perfeito e poético lugar. Não posso permitir isso…
Abre as pernas. O meu lugar vai ser querido, desejado por tantos. Selecção! Ahhhhahhh vou seleccionar!
Voltar à esgrima…e esfaquear-te…ao mesmo tempo que me esfaqueio…cortes, o quanto lhes sinto o sabor. Girar-me em volta de algo. Perseguir. Seios. Levantar-me-ia agora para encontrar algo parecido com uma solução? Segregar a vida, chupar-lhe o sangue. O que queria contar-te de erotismo. Plásticas. Não serei assim. Mais Mulher que humana, mais fria que quente, mais feminina que A Vida. Sugar os momentos. Tal como na esgrima. Roleta russa. Um tiro de sorte. Até onde poderei ir??? Há sempre mais…como não entendes isso…nada me é suficiente porque vejo a clareza de haver mais. Nunca chega. Poderei mudar, não sei, não o posso garantir… não to quero prometer. Queria que me acompanhasses. Porque não tentar a momento final…tudo isto é verdadeiro…tudo isto me corre nas veias como sangue…sou eu…bem ou mal, não sei…sei que o sou e não o posso evitar…ou morro… sinto-me numa constante arritmia…sobressaltada de invalidez…atraiçoada por este frágil corpo…efemeridade…tintas…não sei que mais…ter-te…no fundo sou uma alma deambulante por este terreno argiloso, rachado de feridas que nunca se trataram…tanto caio como me levanto…tanto sou forte como forte.
Limpar da pele o sebo que me asfixia. Equilibrar as hormonas. Pílulas. Navios e navegadores. Nadando sobre este mar de sonhos e fantasias. Fetiches. Danças e roupas. Sou o comandante e dirijo-me para onde quero. Ondas e tempestades não me pararão. Dão-me a energia necessária para pôr esta roleta a girar. Sinto-me cheia de palavras e ideias, quero escrever tanto que nem sei por onde começar. ENERGIA PORQUE ME SOBRESSALTAS!! Estão-me a inundar imagens, tantas, quase não me deixam respirar!!! Transpor tudo isto para teclas e ver palavras num ecrã. É bonito de se ver. Água! Tanta água! Maldita censura. Vou aboli-la!!! VOU ABOLI-LA!!!! Deuses e fantasmas, inferno e paraíso, morte e vida…são merdas de conceitos!!!porque não aboli-los também???? Ahh gargalhada maquiavélica!! Não, não quero abolir os conceitos!! Quero massacrá-los de mim!!!faze-los sangrar e repelir-me!! Sou o nojo, o escarro, a merda que ninguém quer ver!!! Pois bem, aguentem-se, porque vim, não para ficar, mas enquanto aqui estiver hei-de fazer-me notar. A ironia, o cinismo, hão-de implorar a misericórdia nas minhas mãos, hão-de pedir a morte. Nada lhes darei sem ser a vida miserável que criaram. Mascarar-me de bela, um pequeno brilho nos olhos investidos de atracção, um vestido longo e sinuoso, um batôn vestido de sexo, e criarei o desejo. A utopia viverá, mas não sei se sobreviverá. Dentro de um círculo, criarei tudo. Nas minhas mãos estará uma pequena bola, não lhe chamarei Terra, mas sim Fogo. Não existiram anjos mas sim vermes, os deuses darão lugar a larvas. Um sorriso e sangue. Trincar a carne e viver. Não há tempo para desperdiçar. Juntos não marcharemos, mas dançaremos ao som de melodias escritas por mim e em mim em tons de cicatrizes. O rodopio tornará uma tempestade, e havemos de sorrir em paz ao sentir o poder que estava adormecido em nós. Um movimento de braços e poderá surgir um terramoto. Ao gritar os vulcões cuspirão as suas vísceras ardentes. Não dormirei, e a Lua massacrará o seu corpo luzidio ao ver-me caminhar em pontas sobre espadas. As estrelas adoptarão o meu nome e perderão a luz para uma ténue sensualidade. Das minhas Mãos nascerão as trevas e a luz. A liberdade permitirá tudo. Todos seremos rainhas e eu o cerne a que todos querem chegar. O medo dará lugar à devoção, e aí poderei morrer em paz, sobre mim e sobre tudo.


(Imagem de José Marafona)

publicado por Rute às 04:12
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9 comentários:
De SpwanR a 16 de Dezembro de 2004 às 23:49
Claro que tenho de gostar do teu "orgasm...". Os opostos atraem-se...mas estaremos assim em lados tão opostos...Finalmente a droga da paixão sobre a pele...mas porque não chegamos lá e dizemos simplesmente: AMO-TE, TU AMAS-ME, AMA-ME...
Acredito que com a força do querer conseguimos tudo...Meu Deus, deixa-me acreditar...


De filipa a 9 de Dezembro de 2004 às 23:49
gostei da maneira como escreves ! mt dif e original ! gostei tb mt dos temas :)


De Vampiria a 9 de Dezembro de 2004 às 00:20
Para todos:

Muito obrigada essencialmente por lerem, e depois por comentarem.

Beijos e espero que voltem*



De Xupa Nu Pipi a 7 de Dezembro de 2004 às 18:32
Será tristeza, raiva ou apenas solidão, o que aqui sinto ... bem ... vim ver-te e agradecer a tua ida ao meu sitio Voltarei sempre q for ppossivel :-)


De rosa_p a 7 de Dezembro de 2004 às 09:20
Querida "blogocompanheira", magnífico blog! Keep on the good work.


De rosa_p a 7 de Dezembro de 2004 às 09:19
Querida "blogocompanheira". Magnífico blog. Keep on the good work.


De Distante a 6 de Dezembro de 2004 às 19:59
Excelente blog! Altamente!


De ogle a 6 de Dezembro de 2004 às 13:56
E serás Deus... Pois controlarás o caos á tua volta, pois dançarão á música por ti escolhida. Pois então esgrima, pois a luta entre deuses se inicia, tu, os teus, os outros e os dos outros. Quem controla esse caos senão tu com teus desejos? Esse teu cosmos que sentes não ter controle, que a ti própria se monstra como um escroto fétido e decadente. Não te encontras sozinha, apenas não encontras-te quem te traduza essa linguagem que tu ainda não compreendes. Todos nós somos deuses e acreditamos noutros que nos explicam o quão deuses somos nós. Não odeies o mundo ele não te renega por saber, simplesmente é ignorante e não te reconhece. A busca é cansativa mas o final compensará quando encontramos a felicidade.


De Anónimo a 28 de Maio de 2008 às 14:46
somos um monte de água choca, e insistimos em não sermos felizes.
porque será?


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