Segunda-feira, 4 de Julho de 2005

Durante a madrugada

MarcinKlepacki.JPG






Amarraram-me ao chão. No meio de nada, cheia de lama. Sinto a força das correntes que não me deixam contrair o suficiente. Deitada aqui, farta de espernear, paro e penso. Analiso as tuas palavras, o teu olhar. Revejo-me e desejo.
Aglutino tudo. As vísceras contraem-se repetidamente numa batida paralela ao coração que me faz tremer, suar um pouco e prolongar o minuto até ao arrastamento das horas não o suportar mais. Até ter de fechar os olhos.
Estão a crescer raízes de dentro de mim em direcção ao céu. Raízes que vão fazer crescer a planta que não deviam, raízes que nasceram ao contrário, que vão crescer ao contrário de todas as outras. Raízes sôfregas, que se prolongam até onde queiras…até que decidas não regar mais esta planta desnutrida de vida…
Pinto os lábios de sedução. Trago um sorriso no canto dos lábios, quase sempre pronto para ti. Mas tens de me desamarrar primeiro…vá lá…anda, caminha para mim.




Acordo de um sono pouco profundo numa noite esbelta.




Na réstia de um toque delicado, definho.
Reencontro-me em temperaturas escaldantes, pedaços soltos e agudos de harmonias que me escorrem pela pele.
Afunilo-me para a espera do sorriso anunciado e sem o desmentir, corro para ele. Como se nada importasse…Como se nada importasse mesmo.
(Ergui-me da cama e ofereci às mãos as palavras que me assaltam a mente antes de adormecer. Costumo tentar perpetuá-las em qualquer pedaço de papel amarrotado que a alma pensa encontrar, agradece o descanso, e engana-se.)
Ainda sinto o ardor, a queimar, a percorrer libertino o caminho da vida, deixando-me adocicada de sons. Pouco mais e sou pena flutuante a caminho do horizonte, em busca da luz perdida por pouco mais tempo.
Hei-de sentir. Que prazer! Escrever ao sabor dos dedos, nada preocupados com a beleza arredondada das letras. Que prazer! Escrever, deslizando suavemente a esferográfica pelo pensamento pouco incomodado pelos condicionamentos dos seus similares. Livre.
A calma que me enche a casa e o peito esgotariam todas as cargas de esferográficas que tenho por aqui…Sinto-a plena, bela, esgotante em palavras. Uma maratona imperdível para prolongar agora e por outros dias…
Não estou esgotada mas de súbito apetece-me o conforto dos lençóis. Deve ser por me ter lembrado da falta que tenho do teu.






(Imagem de Marcin Klepacki)

publicado por Rute às 15:36
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39 comentários:
De patrick a 11 de Julho de 2005 às 09:58
adoro a intensidade das tuas palavras...bjss


De Sapo a 10 de Julho de 2005 às 18:27
Obrigado pela visita.
Seu texto é ótimo. Vou andar mais pelo blog.


De Me a 9 de Julho de 2005 às 17:11
Adorei, tenho constatado que a maior parte dos blogs que costumo ver estão apagados, é pena,espero que n o decidas fazer também, mas, se isso acontecer, grava já tudo o que escreves, se é que n o fazes... é que tu tens veia, n podes perder nada do que escreves, seria uma grande perda. Um beijo Mae


De Sonhos Encantados a 9 de Julho de 2005 às 12:36
Sem muitas palavras, apenas digo:Simplesmente lindo. Um beijo doce cheio de sonhos.


De Miss Lust a 8 de Julho de 2005 às 21:11
Gosto muito da tua escrita, muitas vezes saio daqui e levo comigo as tuas palavras que não consigo escrever, "liberto" aqui muitas vezes a minha alma, a outra, não a sexual. Talvez um dia te possa explicar melhor o porquê. Um beijo doce, muito doce


De rosa, a prpura guerreira a 8 de Julho de 2005 às 17:13
Que interessa o sono não ser profundo se o sonho o é? :)


De Insolente a 8 de Julho de 2005 às 17:01
ja n vinha cá á tanto tempo k acabei por me eskecer como é k s leem akelas palavras todas estranhas k tu escreves... tu deves ter um curso ou isso... "definho" e tal eu as vezes tb adefinho coisas, duzem k eu so nao adefinho no euromilhoes... ora entao um grande bem haja


De pedro a 8 de Julho de 2005 às 15:31
lindo... adorei tambem a tua forma de escrever, bastante sentida! muito bom mesmo, parabens


De sylpha a 8 de Julho de 2005 às 13:00
passei apenas para te desejar um bom fim de semana e deixar-te um beijinho :)


De Laura Rouge a 8 de Julho de 2005 às 11:04
Bom dia cara Vampiria. É verdade, hoje acordei cedo. Acordei um pouco mais atabalhoadamente que você, querida, no seu post, mas é a vida. Será?... Comigo passou-se uma situação oposta à sua... um telefonema que, quando acabou, me fez atirar o telefone contra a parede e saltar da cama de uma vez por todas. Mas eu acordo sempre cedo, portanto não há qualquer diferença. Em relação a si, não vá fazer escala nos seus lençóis quando quer ir para os dele... voe directamente. Um beijo, Laura Rouge.


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