Sábado, 13 de Dezembro de 2008

Fantoches

 

 

 

Não se aguenta mais.

É a isto que se chama limite.

Enquanto esperneiam do outro lado da parede, desta tenta-se manter os olhos abertos…todos temos um fardo a suportar e este é obviamente o meu.

Solidão e traição.

Tudo o que sou está guardado a cadeado cá dentro, com medo da dor….e mesmo sem terem a chave, pensam que sabem.

Ingénuos que me tomam como uma criança…

Vêem em mim um mundo de caprichos e obstinação….parece que não vêem nada então.

Resolvo tudo fechando de novo a pequena brecha que tinha aberto….a nada têm direito.

Julgam tudo. Não têm peso nem medida, e riem-se articulados pensando-se donos e mestres do diálogo inteligente mas anémica na verdade…

A inteligência não se encontra em dizer tudo o que se pensa…são a criança que me pensam.

 

Batem as portas e sinto outra arritmia.

 

Enjoo….inchaço…não podia estar melhor dia para a sucessão de pancada da última madrugada.

O céu negro….estouram flechas de luz e é tudo musicalmente vermelho.

Perfeito.

Até consigo ouvir o mar e as lágrimas a caírem abruptamente do abismo da minha face para o chão.

Nada me resta.

Não tenho ninguém.

Ninguém que me veja.

Pedaço inútil de carne por saborear…

 

Estou cansada de vozes estridentes…já ninguém sabe pausadamente sussurrar. É a única maneira de ser ouvido…estão todos surdos.

 

Tudo permanece imóvel ao som da chuva, mas sinto os órgãos a implodir a cada minuto…

Já não consigo entrar deslumbrante.

Já não cativo com o olhar e o sorriso.

O mundo fartou-se de mim logo depois de eu me fartar dele.

 


publicado por Rute às 22:51
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5 comentários:
De SAM a 15 de Dezembro de 2008 às 14:16
ás vezes é mesmo assim, como cantava o outro, parece que o mundo inteiro se uniu pra nos tramar.


De Sara a 15 de Dezembro de 2008 às 14:48
Ainda bem que voltaste...
Bjs e anima-te... afinal, todos nós podemos ser Natal na vida de alguém


De Edson Macedo a 19 de Dezembro de 2008 às 08:51
Muito bem escrito. Parece que involuntariamente me conheces e sabes o q estou a passar... Obrigado... Volto...


De SAM a 19 de Dezembro de 2008 às 12:55
Beijo doce e bom fim de coiso!!!


De dover a 22 de Dezembro de 2008 às 22:00
belo blog. belos textos. belas...frases.
mas o belo não existe é o infinito do fim*

beijos*

doverland.wordpress.com


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